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A qualidade da Internet no Brasil fica aquém da expectativa, principalmente por um considerável aumento da demanda de usuários nos últimos anos. Segundo pesquisas da Akamai, empresa de serviços CDN (Redes de Distribuição de Conteúdo da Internet), somos o terceiro país do mundo com endereços IPv4 únicos, perdendo apenas para os Estados Unidos e a China.

Se relacionarmos esse fato ao índice apontado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) — 14% da população ainda não tem acesso à fibra óptica —, percebemos o quanto esse mercado ainda precisa expandir.

Para isso, é preciso ter infraestrutura adequada, muitas vezes, dependente das disparidades entre as regiões; velocidade suficiente, para atender essa demanda crescente; e interesse público, para implementar a tecnologia. Quer saber quais aspectos mais influenciam essa qualidade da Internet no Brasil? Continue a leitura!

1. Velocidade

Ainda sobre os dados do estudo da Akamai, em 2016, o Brasil foi classificado em 85º lugar entre 241 países pesquisados em relação à qualidade da velocidade de acesso — em média, 6,4 Megabits por segundo (Mbps) e abaixo da média de tráfego mundial, 7 Mbps.

Segundo uma resolução da Anatel, as operadoras precisam entregar aos usuários uma velocidade média mensal de 80% do que foi contratado. Dessa forma, se o pacote de dados é de 10 megabits por segundo, a empresa só precisa garantir oito.

Existem sites em que é possível verificar a qualidade da Internet em tempo real. Alguns ainda salvam os resultados e criam uma série histórica para acompanhar o desempenho da rede durante vários períodos.

2. Tempo de latência

Já relacionado à latência — tempo do trânsito dos dados em uma conexão —, o país também apresenta baixa performance. Segundo dados da SIMET (Sistema de Medição de Tráfego de Internet), algumas regiões, como Norte e Nordeste, apresentam bons resultados para esse indicador, porém desempenho inferior no quesito qualidade da conexão em função do tempo de transmissão.

Os estados que tiveram as melhores avaliações, entre os anos de 2013 e 2016, foram:

  1. São Paulo;
  2. Rio de Janeiro;
  3. Goiás;
  4. Paraná.

Mas o estudo ainda chama atenção para algumas diferenças:

  • São Paulo apresentou, em 2016, velocidade quase cinco vezes maior que o Paraná;
  • apesar disso, no mesmo ano, São Paulo apresentou latência quase duas vezes menor do que o Pará;
  • em 2016, com exceção de Pará, Bahia e Goiás, todos os estados brasileiros apresentaram melhor desempenho de velocidade TCP download na comparação com 2013.

3. Desigualdades das regiões

Há uma grande disparidade entre as regiões, evidenciada especialmente pelas condições físicas e lógicas da infraestrutura relacionada, ainda, à capacidade de atendimento devido a problemas estruturais, como dificuldade de instalar fiações.

Apesar disso, em regiões com essa dificuldade, o acesso ainda pode acontecer por meio de Internet via satélite. Porém, esse é um serviço de alto valor agregado, muitas vezes, inacessível pela população.

4. Acessibilidade do setor público

Ainda segundo o estudo da SIMET, entre as instituições do setor público que necessitam de conexão banda larga (cabeada) ou fibra óptica para disponibilizar serviços de qualidade à população, apenas 41% das escolas situadas em áreas urbanas são conectadas, 69% das prefeituras e 63% dos estabelecimentos de saúde. A grande maioria apresenta velocidade abaixo de 10 Mbps.

Apesar do crescimento das conexões móveis nos domicílios de classes C e D, é preciso que políticas públicas criem medidas legais e um ambiente tecnológico propício para reduzir as desigualdades, principalmente relacionadas às questões estruturais das regiões, para que os fornecedores do serviço consigam disponibilizar acesso à Internet de qualidade.

Uma forma de melhorar a qualidade da Internet no Brasil é evitar o congestionamento da conexão ao cobrar pelo tráfego e não pelo pacote de serviço. Apesar de ser uma medida vantajosa para as operadoras, para os usuários, essa solução poderia representar o alto custo do acesso.

Agora que você sabe como é a qualidade da Internet no Brasil, siga-nos no Facebook, no LinkedIn e no Instagram e saiba como é possível mudar essa situação!