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Prover internet no Brasil é um desafio que vai além daquilo que podemos observar como consumidores, uma vez que os provedores têm de enfrentar uma série de desafios para entregar um serviço de qualidade aos seus clientes.

Os problemas vão muito além da simples falta de estrutura, passando pela burocracia do Governo, pela falta de mão de obra especializada e, até mesmo, pela dificuldade de investir em tecnologia de ponta.

Neste post, nosso objetivo é mostrar para você todas as barreiras que os provedores têm de enfrentar para entregar um serviço adequado de internet no Brasil. Continue conosco e confira!

O Brasil e a velocidade de acesso

Hoje, mesmo com melhorias estruturais e um incremento de velocidade de cerca de 27% com relação ao ano de 2017, comparado com 2018, o Brasil ainda se encontra no 71° lugar no ranking mundial.

Esses números foram divulgados pela Speed Test, sendo que o relatório também mostrou que, além de um incremento significativo de velocidade, o número de provedores regionais também vem aumentando, fomentando a competitividade.

Os desafios enfrentados pelos provedores de internet no Brasil

Mesmo com as melhorias apresentadas, podemos perceber que o Brasil continua muito aquém de um serviço de qualidade, tendo dificuldades de subir no ranking. Alguns desafios enfrentados pelos provedores podem ser conferidos a seguir!

1. Excesso de burocracia

O primeiro ponto de dificuldade ao se investir na abertura de um provedor de internet é a burocracia na legislação com relação a prestação desse tipo de serviço, além das recentes mudanças como o Marco Civil da internet e regulamentação sobre o uso de dados com a LGPD.

Além disso, muitos estados não contam com uma legislação específica acerca da prestação de serviços de internet, o que dificulta ainda mais a abertura e manutenção de um provedor.

2. Contribuição com altos encargos

Outro ponto que prejudica a atuação dos provedores de internet no Brasil são os altos encargos cobrados por parte do Governo para manter a operação, sendo que, o principal deles é o ICMS, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que é estadual.

Cada estado conta com uma alíquota diferente para essa cobrança, sendo que a mais baixa é de 25% nos estados do Acre, Piauí, Espírito Santo, Santa Catarina, Roraima e São Paulo, e a mais cara é paga pelos provedores que atuam em Rondônia, onde chega a 37%.

Além disso, algumas fazendas municipais também fazem incidir sobre a prestação de serviços de acesso à internet o ISS, Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza, um tributo municipal.

Mesmo que o Recurso Especial n° 719.635, julgado pelo STJ, considere improcedente essa cobrança em ambos os casos, ICMS e ISS, o não pagamento pode gerar ônus para a companhia que acaba tendo de arcar com os dois.

3. Alto investimento em infraestrutura

O investimento para criar uma infraestrutura adequada para a distribuição do sinal de internet pode ser muito alto, inviabilizando, muitas vezes, a entrada de pequenos provedores no mercado ou a expansão de seus serviços.

Entre os investimentos necessários para dar suporte ao negócio podemos destacar a demanda por data centers, cabos, frota e técnicos para atendimento e manutenção e muitos outros equipamentos.

4. Dificuldade de encontrar mão de obra especializada

Por fim, outro problema que assola os provedores de internet no Brasil é a dificuldade de encontrar mão de obra especializada no mercado, sendo que a maioria dos técnicos atuantes, hoje, é treinada pelas próprias empresas.

Segundo o último relatório anual da Softex, empresa de educação tecnológica parceira do Ministério da Ciência, acerca do mercado de tecnologia no Brasil, existe um déficit de 48 mil profissionais atualmente, que deve crescer ainda mais nos próximos anos.

A internet no Brasil ainda tem muito o que melhorar, mas podemos observar que os provedores têm buscado formas de adequar seus serviços e investir em tecnologia para garantir a melhor experiência ao consumidor.